O problema
Como profissional de saúde atuante em Medicina de Emergência, vejo todos os dias a situação crítica em que as crianças se encontram nas UPAs mistas do Paraná. Crianças, que muitas vezes precisam de cuidados específicos, são colocadas em ambientes que não atendem totalmente às suas necessidades médicas e emocionais. A falta de UPA pediátrica exclusiva é evidente e preocupante, e como médica sinto a urgência de trazer esta causa à tona.
A saúde infantil requer atenção especial, que só pode ser garantida em ambientes adequados e com recursos direcionados exclusivamente para a pediatria. As UPAs mistas, embora bem-intencionadas, não conseguem fornecer o suporte especializado que os nossos pequenos precisam. Essas crianças, muitas expostas a doenças e traumas diários, merecem um espaço dedicado onde possam receber o melhor cuidado possível sem comprometer sua saúde mental e física.
O que pedimos
Nós, cidadãos abaixo-assinados, residentes e eleitores do estado do Paraná, viemos por meio deste manifestar nossa profunda preocupação e requerer formalmente às autoridades competentes a implantação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com estrutura e equipes de saúde dedicadas exclusivamente ao atendimento pediátrico de urgência e emergência 24 horas.
Por que isso importa
Crianças não são "adultos em miniatura". Elas possuem características fisiológicas próprias, o que faz com que quadros de saúde — como desidratação, febre alta e crises respiratórias — evoluam para situações graves muito mais rápido do que em adultos. O tempo de espera e o diagnóstico preciso por especialistas salvam vidas.
O artigo 227 da Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem que a infância deve receber prioridade absoluta nas políticas públicas e no acesso aos serviços de saúde.
O ambiente de uma UPA geral mistura crianças febris ou machucadas com adultos em surto, sob efeito de substâncias ou com traumas graves. Um espaço pediátrico dedicado garante um atendimento humanizado, acolhedor e psicologicamente seguro tanto para os pequenos quanto para seus responsáveis.
A ausência de pronto-socorro infantil descentralizado satura os hospitais de grande porte — como os Hospitais de Clínicas ou Universitários — com casos que poderiam ser resolvidos rapidamente em uma UPA estruturada, otimizando os recursos do município.
Conclusão
Diante do exposto, solicitamos que o Poder Executivo e o Legislativo Estadual incluam no orçamento e no planejamento da saúde a criação e a estruturação destas unidades de pronto atendimento pediátrico.
- Governo do Estado do Paraná
- Assembleia Legislativa do Paraná
- Secretaria de Estado da Saúde